MONROY'S PERFORMANCE SERVICE No. 1 MR. Kosuth, What would you do? at paço das artes

Temporada de Projetos 2012 / October - November 2012.


Based on the Installation One and three chairs (1965), emblematic work of conceptualism, which put in evidence the difficulty of translation and the weight significant and signifier of the words to our understanding of the world, Monroy's performance service no.1 Mr. Kosuth, what would you do? is a project of the Colombian artist Carlos Monroy covering installation, performance, and a number of curiosities about his artistic career. The project was chose by open call for the 12 temporada de projetos of the brasilia institution Paço das Artes. The performance installation, main piece of the exhibit, worked as slot machine or jackpot that, activated by the public will, redefined performance as a word, as an registering image and as live action continuously. Th, for a period of 30 days of eight hours performance daily. The show also contains a number of videos and images that showed the institutional burocracy and the creative process Monroy had to go trough over 4 years, time taken, to see the project turning a reality.


TODA ARTE APÓS A PERFORMANCE BY PAULO MIYADA

Dar nome a algo é uma maneira de criar pontos de referência compartilháveis, procedimento que cria atalhos e agiliza a comunicação, afinal, como seria viver em um dos hemisférios do planeta narrado por Jorge Luis Borges, onde existem apenas verbos ou adjetivos? Dar nome a algo garante que poderemos contar com aquele nome hoje e amanhã, não importa o que aconteça. Nomear é, portanto, paralisar e, também, dominar. O que implica, então, o emprego da noção de performance no campo da arte contemporânea? Trata-se de uma palavra emprestada de outros campos - seja do teatro e da dança, mais próximos, seja da biologia e do esporte, aparentemente mais distantes - e que, no campo da arte, estabiliza e engloba uma ampla gama de práticas que, grosseiramente, podem ser sumarizadas como gestos artísticos baseados na presença sincrônica do público e do artista ou de algum avatar seu, como atores, dançarinos e objetos. Assim, em torno dos recursos bastante maleáveis de audiência e desempenho, atividades completamente díspares podem permanecer reunidas sob uma alcunha comum, como se em contiguidade.

A obra de Carlos Monroy nasce do que há de paradoxal no frágil domínio estabelecido pela noção de performance, menos por curiosidade epistemológica e mais pelo desafio cotidiano de apresentar-se e sustentar-se como artista de performance. Afinal, se a definição é controversa, como estar confortável com a ideia de ser um artista de performance? Essa é uma dúvida compartilhada com uma miríade de artistas, pesquisadores e críticos, de forma que mesmo a wikipedia - enciclopédia esquizofrênica de nosso tempo - assume que toda definição de performance deve incluir o seu contrário e que trata-se de um termo cuja essência passa pela disputa e pela contradição, enquanto a discussão acerca do significado das práticas de reencenação e documentação de performances já levou artistas como Rikrit Tiravanija e Francis Alÿs a proporem modelos radicais de apresentação em mostras retrospectivas de seus trabalhos, nos quais prescindiram de qualquer imagem ou reapresentação de suas obras.

A entrada de Monroy nesse debate se deu por um ato extenuante e desafiador, La Performola (2008/2010), em que o artista atendia, por horas, os incessantes pedidos do público a partir de uma espécie de cardápio. Coletadas ao longo do tempo através de contribuições de outros artistas, centenas de performances ficam à disposição do público e são realizadas pelo artista em um esforço típico de um atleta de Decathlon. Alternando cenas de tom teatral com movimentos mínimos e mudos, assim como rotinas precisamente roteirizadas com espasmos de improviso, o esforço de Monroy coloca em questão a multiplicidade do gesto performático, ao mesmo tempo em que explicita o fato de que hoje, após décadas de práticas, a performance possui uma história própria e um repertório reconhecível de abordagens, técnicas, estilos e até mesmo os seus maneirismos. Mais ainda, embora de forma irônica ou debochada, La Performola experimenta a hipótese de que a performance possa ser entendida como um serviço.

E então, Carlos Monroy encontra outro ponto sensível na história da arte, já que as relações entre o artista e seus meios de subsistência se tornaram contraditórios e repletos de quimeras como a do artista milionário que faz do circuito especulativo da arte parte de sua persona, até o artista conceitual que procura manter imaculada sua imagem de trabalhador mental, como se sua subsistência em nada estivesse atrelada à sua produção. Pior ainda no caso de artistas que desenvolvem performances, posto que existem inúmeras dúvidas sobre qual deve ser o estatuto dos documentos e objetos residuais de suas ações.

De certa forma, Monroy encontrou aí um campo de pesquisa a ser aprofundado com duas séries, uma chamada Monroy's Performance Service (2009 - ) e outra CMG Performance Art Services (2010-11). Esta consiste em variações de palestras empresariais nas quais o artista, devidamente munido de um terno e uma colorida apresentação de powerpoint, oferece um modelo de gestão e capitalização do trabalho performático. Já a primeira consiste em experimentos afins à La Performola, e é nessa série que se encontra Monroy's Performance Service N.1: Sr. Kosuth, o que você faria?, performance realizada no Paço das Artes em 2012, na qual o artista parodia uma obra paradigmática da arte conceitual: One and three chairs, de Joseph Kosuth. Ao invés de repetir o jogo linguístico de Kosuth - uma cadeira era exibida ao lado de sua fotografia em escala real e da definição de cadeira apropriada de um dicionário - Monroy desenvolveu uma estrutura tripartite em que quinze definições de performance podem ser combinadas com outras quinze ações do artista sentado em uma cadeira e quinze fotografias de situações performáticas. O público será responsável por recombinar esses elementos, enquanto o artista atenderá a essas especulações exercendo as ações selecionadas. Com isso, a noção de que a performance possa ser um serviço ganha contornos de negociação entre artista e público, em um dispositivo que coloca Monroy à disposição da audiência enquanto faz do público motor para a reflexão, por vezes cômica, sobre o que possa ser o trabalho do performer. Como dito antes, nomear é dominar, mas Monroy demonstra que, no caso da performance, dominar também pode ser uma forma eficaz de duvidar do próprio nome.

Lista of works at the exhibit

INSTALLATION / PERFORMANCE

MR. KOSUTH, WHAT WOULD YOU DO?

VIDEOS

IF SOMEONE HERE MY TRANSMISSION PLEASE INFORM IT IN SÃO PAULO.

DECLARATION OF LOVE TO JOSEPH KOSUTH OR IF SOMEONE HERE MY TRANSMISSION PLEASE INFORM IT IN THE PAÇO.

OBJECTS

ON KOSUTH MEMORIES

Table with objects about Kosuth's creative and institutional process coo curated with Luciana Miyuki.

NOTE

The performance piece was done for over 30 days, in each the artist stays at the space for 8 hours continuously. The action were executed consecutively none interrupted even whit public.  



Sobre falsos profetas BY AVILA LEÓN

No es mi experiencia, pero la siento como mia. La verdad, es ver como todo ese proceso, regado a mucho café colombiano, se convirtió en una realidad: la abertura de la exposición. Aquel momento en que todo el esfuerzo, las llamadas, las fotos y el desespero se juntaban en la presentación del performance y la interacción con los objetos, esculturas, o instalaciones. 

Es impresionante ver al público interactuando con el artista, haciéndolo su juguete, su marioneta personal en aquel momento, bien sea por la dosis de cachaça que ofrece el artista, o por la intención de saber más sobre su papel como ilusionista.

Sr. Kosuth es una máquina monstruosa cuando se activa. Hay tanta energía en el lugar, una interacción constante entre las diferentes áreas: la persona, el performer, la acción, la definición y la fotografía. El público, expectante, asombrado por la capacidad multicanal del performer. El performer, expuesto y vulnerable frente a su propio ego, sin otra arma más que su arte, que, vale la pena decirlo, fue la causante de todo lo que le ha sucedido. 

Es, digamos en términos polémicos, un Jesucristo del arte contemporánea, expugnando todos sus pecados y los pecados de aquellos que están en la exposición. El morbo se apodera del público cuando el performer canta desnudo, y también cunde la codicia cuando le piden más y más cachaça. Otros pecados capitales rondan el lugar, lo cual hace aún más válido el sacrificio que hace este falso mesias en el museo.

Las lágrimas, el sudor y la resaca son lo único que quedan en el espacio. Se van las luces, la gente, las cámaras y el performer. Resta el Sr. Kosuth inactivo, expectante a que sea nuevamente reanimado: que las fotos muden su lugar, la definición mude su contenido, la acción sea creada y el performer lapidado. Así como los diamantes.