SCOTOMA at Ateliê 397

Curator: Julia Lima / April - May 2014


In this exhibition Monroy deals with the invisibility, using the notion of scotoma (or blind spot), a region in the mammal’s visual field of total or partial loss of visual acuity, surrounded by a region in which normal vision is preserved. The artist presents works about the issues that are "behind the scene" that we can’t see. In the show, curated by Julia Lima, Monroy weaves a criticism to the institution pointing to the idiosyncrasies and prejudices of the official contemporary art spaces, whose non receptively attitude toward innovations and experimentation tamed the artistic gestures. In this occasion Monroy presented videos, photos and three-dimensional works and, in addition, during the opening in company of two artist friends, held an action inside and outside the space of the Ateliê397


PONTO CEGO By Julia Lima 

Existe um fenômeno ótico que causa no olhar a sensação de movimento. A paralaxe é uma ilusão causada pela alternância de dois pontos de vista distintos: basta piscar um olho e depois o outro, sucessivamente, focando-se em um objeto distante, para ludibriar o nosso cérebro e criar uma falsa oscilação. Por outro lado, se somos capazes de criar movimento com a interpolação de dois pontos diversos, há sempre em nosso campo de visão um ponto cego, scotoma, região em que há a perda da acuidade visual – da capacidade de distinguir dois pontos diferentes mas muito próximos. Esse jogo entre a dissimulação de um deslocamento entre dois pontos e a perda da capacidade de percebê-los como distintos atravessa os trabalhos de Carlos Monroy. Em Scotoma, o artista lida com pólos separados, mas indissociáveis. Para ilustrar, faz-se necessário, primeiro, contar uma anedota. Em plena semana de abertura da 10a SP Arte, a maior edição da feira talvez, algo curioso aconteceu com Monroy. Como resultado de sua pesquisa de mestrado, o artista poderia realizar uma exposição no Centro de Apoio Pedagógico do novo MAC USP, um espaço que é disponibilizado aos alunos mestrandos para mostrar os trabalhos que desenvolvem durante o processo da dissertação. Já a Feira, ocupando o pavilhão da Bienal no Parque do Ibirapuera, trazia preços mais absurdamente inflados dos últimos tempos: múltiplos a 90 mil euros, pequenas obras em papel a 120 mil dólares... A arte ofertada ali virara commodity raro – quase água no deserto – e seus valores (enfatuados também pelo poder do fetiche e do status) transformados em montantes totalmente arbitrários e nonsense. Do outro lado da Avenida 23 de Maio, o museu transformava a arte não em mercadoria, mas em burocracia. Instruído pela equipe do Centro de Apoio Pedagógico, Monroy havia solicitado por escrito à diretoria da Instituição que transferisse a data da abertura da exposição para o dia 15/4, à noite, para que uma performance concebida para a ocasião (envolvendo 10 outros performers) pudesse ser apresentada. Além desse simples e justificado pedido, o artista também pedia que se abrisse o espaço por dois sábado para reencenar a Comissão de re-frente, dias em que o público poderia estar presente em maior número. Independentemente dos méritos das demandas versus as motivações do indeferimento pelo Museu, fato é que a exposição e a programação de performances foram inviabilizados, levando o artista a renunciar ao uso daquele espaço. Notável, assim, perceber que, analogamente, o trabalho de Carlos Monroy se opera no ponto cego entre essas duas perspectivas – mercadológica e institucional. A re-formance apresenta-se como repetição, reutilização, subvertendo a lógica da obra de arte única, autoral; por outro lado, as suas ações também não se encerram no campo institucional, pois pervertem as regras e o estatuto do espaço museológico. A criação central para Scotoma, então, é a série de fotografias intitulada ‘Ponto cego’, uma sequência de imagens que mostram o strip-tease do artista em uma região onde nem câmeras e nem seguranças do museu conseguiriam flagrá-lo despindo-se e dançando enquanto era clicado por um amigo, muito à moda das revistas sensuais. A natureza irônica, crítica e pseudo-rebelde dessa manobra se repete no vídeo gravado no espaço da Sala de Apoio Pedagógico, onde um segurança pede a um funcionário que feche a porta da sala expositiva quando voltasse. A imagem, dessa vez, assume o ângulo da vigilância, que registra o espaço vazio em toda sua frieza e rigidez. Se antes Monroy buscava esquivar-se da câmera de monitoramento, agora assumia a posição do próprio equipamento de controle. Ambos os trabalhos foram produzidos dentro do Museu, mas de forma a desvirtuar as proibições e restrições particulares daquele lugar. No entanto, nenhuma das ações de fato violava patentemente o estatuto da Instituição, uma vez que o artista não se fez presente e visível. O tom assumido por Monroy por esse e pelos outros trabalhos que compõem a exposição oscila entre a seriedade e o deboche, a provocação velada e o embate direto, a fetichização e reificação da arte e a cultura de massa. Em Scotoma, sempre se está duvidando do próprio olhar, questionando se o artista nos engana ou se é nossa percepção que não consegue decidir por enxergar um único ponto.

PIECES AT THE EXHIBIT

BLIND SPOT SERIES

BLIND SPOT - PHOTO REGISTERING

BEFORE VOID'S LAW - VIDEO

FLAG HOLDERS OR MASTER'S SHUT - PERFORMANCE AND OBJECTS

FROM RE-FORMANCE SWEET RE-FORMANCE SERIES

MARILYN MONROY: BOLDNESS IS GIRL'S BEST FRIEND - VIDEO

FROM SCOTOMATIC SERIES

WHO CRUCH TO MUCH... - PHOTO INSTALLATION

HOW THE ARTIST IS DOMESTICATED OR THE WAY THEY TEACH US - PHOTO INSTALLATION